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Pix: novas regras prometem agilizar devoluções e apertar cerco a fraudes

Pix: novas regras prometem agilizar devoluções e apertar cerco a fraudes
Por marcus williford 6 set 2025

R$ 2,5 bilhões evaporaram em golpes ligados ao Pix em 2023, e mais da metade dessas fraudes aconteceu em menos de nove minutos. O Banco Central decidiu virar o jogo. Vem aí uma bateria de mudanças para facilitar a devolução do dinheiro e dificultar a vida de quadrilhas que exploram redes sociais, engenharia social e contas de laranjas.

O que muda agora e o que vem aí

O Mecanismo Especial de Devolução (MED) nasceu em 2021, um ano após o lançamento do Pix, para dar um caminho rápido a quem foi vítima de golpe. Hoje, quando o banco do cliente aciona o MED, o dinheiro que estiver na conta de destino é bloqueado por até sete dias, período em que as instituições analisam o caso e decidem se devolvem os recursos disponíveis. Funciona, mas ainda deixa muita gente no prejuízo quando a grana é pulverizada em poucas horas.

A primeira virada é de usabilidade. Pela Resolução BCB 589, todos os participantes do Pix terão que oferecer o MED em modo de autoatendimento dentro dos próprios aplicativos até outubro de 2025. Nada de depender de ligação ou chat para abrir solicitação: a vítima poderá iniciar o pedido direto no app, com registro da ocorrência e envio de evidências. Isso reduz tempo, atrito e erro na coleta de informações.

O passo mais ambicioso chega com o MED 2.0, previsto para fevereiro de 2026. O novo sistema vai rastrear e bloquear transferências em cadeia, seguindo o rastro do dinheiro por até cinco camadas de contas. A lógica é atacar o core do golpe moderno: a dispersão veloz em dezenas de destinos para driblar bloqueios.

Por trás dessa capacidade está o GRAF, um mecanismo de rastreamento baseado em grafos acíclicos direcionados. Traduzindo: a partir da transação raiz (a que deu origem ao golpe), o sistema desenha o mapa das transações seguintes, identifica padrões suspeitos e coordena bloqueios sucessivos em contas envolvidas. Critérios estatísticos dão o sinal de alerta, e os bancos, integrados na mesma malha, executam os travamentos quase em sincronia.

Tem mais. A governança do ecossistema também passa por reforma. A Resolução BCB nº 493/2025, publicada em 28 de agosto de 2025, reestrutura o Fórum Pix e cria grupos especializados, entre eles o GE-SEG (Grupo Estratégico de Segurança), dedicado a diretrizes de mitigação de risco e prevenção a fraudes. A ideia é acelerar decisões técnicas e uniformizar respostas entre bancos, fintechs e o próprio BC.

No front da experiência do usuário, o pagamento por aproximação ganha um freio. A partir de 1º de dezembro de 2025, operações por proximidade terão teto de R$ 500 por transação. O cliente poderá definir limites diários personalizados no app, o que ajuda a reduzir o impacto de uso indevido em caso de perda do celular ou de clonagem.

Outra camada é a autenticação de dispositivo. Movimentações feitas a partir de aparelhos não reconhecidos sofrerão exigências adicionais de verificação. Isso ataca um vetor comum de golpe: sequestro de conta com troca de chip, instalação de apps espiões ou uso de emuladores. O esforço é combinar prevenção na origem (detectar abuso antes do envio) com detecção no destino (identificar e isolar contas de risco já dentro do sistema).

Para quem gosta de ver o filme pela linha do tempo, a sequência é esta:

  • 28/08/2025: Resolução BCB nº 493/2025 publicada, com novo arranjo de governança e grupos de trabalho.
  • Outubro de 2025: obrigatoriedade do MED em autoatendimento nos apps de todos os participantes.
  • 1º de dezembro de 2025: limite de R$ 500 por transação no Pix por Aproximação, com opção de ajuste de limites diários pelo usuário.
  • Fevereiro de 2026: estreia do MED 2.0, com rastreio em até cinco camadas e bloqueio encadeado.
Impactos para usuários, bancos e o mercado

Impactos para usuários, bancos e o mercado

Para o usuário, a principal mudança é o acesso. Sofreu um golpe? O caminho estará dentro do app: abrir uma solicitação do MED, descrever o caso, anexar provas como prints de conversa e comprovantes e confirmar a transação alvo. O banco de origem dispara o alerta para a instituição recebedora e, com o MED 2.0, a rede inteira pode receber o sinal para travar contas que aparecem depois no rastro do dinheiro. O retorno pode ser total ou parcial, a depender do que ainda estiver disponível nas contas bloqueadas.

Por que isso importa? Porque os golpistas se profissionalizaram. Em 2024, o Pix superou 42 bilhões de transações. Com esse volume, criminosos montaram esteiras de fraude que combinam WhatsApp, Instagram e “robôs” de repasse instantâneo. Eles aplicam o golpe, fatiam os valores em dezenas de contas e esvaziam tudo antes do primeiro bloqueio. Rastrear cinco camadas amplia muito a chance de congelar recursos antes que virem saque, boleto, cartão virtual ou cripto.

Um exemplo prático: você faz uma transferência para um falso vendedor. Em minutos, a quantia é repartida entre três contas; dessas, parte vai para outras seis, e assim por diante. O MED 2.0 mapeia a árvore dessas transações, identifica ramificações típicas de lavagem e dispara bloqueios em cada ponto da cadeia. Se houver fundos em qualquer uma dessas pontas quando o bloqueio chegar, há chance de recuperar pelo menos parte do valor.

Para bancos e fintechs, o recado é trabalho pesado de compliance e tecnologia. Eles terão que:

  • Disponibilizar o MED de autoatendimento com boa usabilidade e trilhas de evidência bem definidas.
  • Integrar a infraestrutura ao GRAF, com baixa latência para receber e enviar sinais de bloqueio.
  • Refinar modelos de risco que distinguem ruído de fraude real, para evitar bloqueios indevidos.
  • Reforçar a limpeza de contas de laranjas, com verificação mais rígida de cadastros e monitoramento de comportamento.
  • Treinar equipes de atendimento e ouvidoria para lidar com contestações e prazos legais.

Haverá custos. A indústria vai investir em detecção, armazenamento de logs, trilhas de auditoria e resposta a incidentes. No curto prazo, isso pode provocar mais bloqueios preventivos e, às vezes, retenções temporárias que irritam clientes legítimos. Por isso, o ponto de equilíbrio vai ser transparência: informar motivo do bloqueio, prazo de análise e canal de recurso.

Comerciantes que recebem via Pix precisam se preparar para um ambiente com mais contenções em caso de suspeita. Boas práticas reduzem a chance de cair em filtros: chave verificada, conciliação rápida, nota fiscal, histórico de transações coerente com o porte da empresa e evitar triangulações sem justificativa.

Do lado da segurança, as mudanças tendem a deslocar as táticas do crime. Veremos mais tentativas de “cash-out” imediato em dinheiro vivo, uso de contas em instituições menores e microfracionamento extremo. A boa notícia é que o rastreio em grafos melhora a visibilidade de padrões, mesmo em valores pequenos, desde que os sinais circulem rápido entre os participantes.

O limite de R$ 500 no pagamento por aproximação reduz a exposição em cenários de celular perdido ou cartão digital clonado. E os pedágios extras de autenticação para dispositivos desconhecidos ajudam a travar invasões silenciosas. Não resolve tudo, mas compra tempo — e tempo é o recurso mais valioso em fraude instantânea.

E os direitos do consumidor? O MED não é um “chargeback automático”. Há análise, critérios e possibilidade de devolução parcial. Quem tiver a conta bloqueada por engano deve ter canal de contestação claro e prazos de resposta. A própria estrutura do Fórum Pix, reforçada pela Resolução 493/2025 e pelo GE-SEG, tende a padronizar essas rotas, reduzindo arbitrariedade.

Algumas dicas práticas para quem for vítima de golpe: agir no minuto zero, abrir o MED pelo app, guardar prints e comprovantes, revisar limites do Pix e do Pix por Aproximação, checar aparelhos confiáveis cadastrados e alterar senhas. Em golpes que envolvem extorsão ou ameaça, vale registrar ocorrência para proteger a própria segurança e documentar o caso.

O pano de fundo é simples: o Pix cresceu mais rápido do que a capacidade dos criminosos de se esconder, mas eles se adaptaram rápido. O BC agora tenta reequilibrar a balança com rastreio em rede, bloqueio encadeado e mais controle no dispositivo. Se a execução for ágil e coordenada, a janela de nove minutos que hoje favorece o golpe tende a encolher. E, quando o tempo encurta, aumenta a chance do dinheiro voltar para quem é de direito.

Tags: Pix MED 2.0 Banco Central fraudes
  • setembro 6, 2025
  • marcus williford
  • 7 Comentários
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RESPOSTAS

Pedro Ferreira
  • Pedro Ferreira
  • setembro 7, 2025 AT 17:11

Essa mudança do MED 2.0 é um dos avanços mais inteligentes que vi no Pix desde que ele surgiu. Rastrear até cinco camadas de transferências? Isso é como colocar um GPS no dinheiro roubado. Antes, os golpistas só precisavam de 5 minutos para espalhar o valor em 20 contas e sumir. Agora, o sistema vai conseguir bloquear antes mesmo de o dinheiro chegar na última conta. É um jogo de xadrez contra criminosos que achavam que eram gênios da tecnologia.

Claro, vai ter falso positivo. Mas melhor bloquear 10 contas legítimas por engano do que deixar 1 milhão de reais desaparecerem por semana. Ainda mais se o banco explicar direitinho o porquê do bloqueio e der canal rápido pra contestar. Isso aqui é segurança inteligente, não controle total.

Se tudo funcionar como prometido, a gente vai ver um declínio brutal nos golpes nos próximos 18 meses. E isso é bom pra todo mundo - inclusive pra quem nunca foi vítima, porque o sistema fica mais confiável, e aí mais gente usa o Pix sem medo.

Graciele Duarte
  • Graciele Duarte
  • setembro 8, 2025 AT 17:49

Eu não consigo dormir pensando nisso... E se o sistema errar? E se eu tiver comprado algo de um vendedor honesto e ele for bloqueado por causa de um padrão suspeito? E se eu perder meu celular e alguém usar o Pix por aproximação... mas eu não tiver feito nada errado? E se o banco me acusar de ser parte de uma rede de lavagem só porque eu transfiro R$ 400 pro meu irmão todo mês? Eu já me sinto vigiada... E se eles começarem a bloquear contas por ‘comportamento anormal’? E se eu for pego no meio disso tudo e ninguém me ouvir? Por favor... alguém me entende? Eu só quero poder usar o Pix sem ter medo de ser punida por algo que não fiz...

Eu só quero segurança... mas não quero ser tratada como suspeita...

Meu coração dói só de pensar...

Daniel Gomes
  • Daniel Gomes
  • setembro 9, 2025 AT 02:01

Essa história de ‘GRAF’ e ‘grafos acíclicos direcionados’ é pura fumaça. O Banco Central não tem capacidade técnica pra isso. Isso tudo é um disfarce pra implementar um sistema de controle social disfarçado de segurança. Quem garante que os dados dessas transações não vão parar na mão de algum grupo político ou de empresas privadas? E se esse sistema for usado pra identificar quem compra de quem, quem doa pra ONGs, quem paga por conteúdo adulto, quem manda dinheiro pra familiares no exterior? E se um dia você for bloqueado por ‘padrão suspeito’ porque você transferiu R$ 100 pro seu tio que mora em São Paulo e que já foi preso por evasão fiscal em 2012? E se o sistema começar a bloquear contas de pessoas que usam VPN? E se o BC virar um órgão de vigilância? E se isso for só o começo? E se amanhã eles exigirem biometria facial pra cada Pix? E se eles começarem a rastrear seus hábitos de compra? E se...

Eu não confio. Ninguém confia. Eles estão nos preparando para um controle total. E vocês estão aplaudindo.

Isso não é segurança. É fascismo digital.

Assinei uma petição. Vamos juntos?

amarildo gazov
  • amarildo gazov
  • setembro 10, 2025 AT 16:43

Com a devida vênia, a implementação do MED 2.0 representa, sob uma perspectiva sistêmica e de engenharia de segurança financeira, uma evolução qualitativa e quantitativa no combate à fraude digital no ecossistema Pix. A arquitetura baseada em grafos acíclicos direcionados, conforme descrita na resolução BCB nº 493/2025, permite a modelagem topológica das cadeias de transferência com precisão computacional superior a métodos heurísticos tradicionais. A latência reduzida na comunicação entre instituições, aliada à padronização dos critérios de risco pelo GE-SEG, minimiza a exposição ao tempo de exposição do ativo, que, conforme dados do BC, era de 540 segundos em 2023. A introdução do limite de R$ 500 em pagamentos por aproximação, por sua vez, atua como um mecanismo de contenção de impacto, alinhado às melhores práticas de segurança de dispositivos móveis conforme ISO/IEC 30107. Ainda que os custos de compliance sejam elevados, o retorno esperado em termos de redução de perdas e aumento da confiança do usuário é, estatisticamente, positivo e sustentável. A transparência operacional, quando implementada com clareza, transforma potenciais resistências em adesão voluntária. Em suma: é um marco regulatório que, se bem executado, colocará o Brasil na vanguarda global da segurança financeira instantânea.

Lima Caz
  • Lima Caz
  • setembro 11, 2025 AT 09:15

Isso tudo é um alívio. Eu sei que muita gente tá com medo, mas eu tô aqui pra dizer: vale a pena. Eu fui vítima de um golpe no ano passado e perdi R$ 1.200. Foi horrível. Fiquei dias ligando, mandando e-mail, sem saber se ia recuperar nada. Se tivesse esse MED automático no app na hora que aconteceu, eu teria feito tudo em 5 minutos. Não teria passado por aquela humilhação de ter que provar que não fui eu que mandei o dinheiro. E agora, com o bloqueio em cadeia... eu acho que a gente vai ver menos gente sofrendo. Não é perfeito, mas é um passo enorme. A gente precisa acreditar que as coisas podem melhorar. E isso é um começo. Obrigada por não desistir de nos proteger.

Eu acredito nisso.

Com carinho, quem já sofreu e ainda acredita.

LEONARDO NASCIMENTO
  • LEONARDO NASCIMENTO
  • setembro 12, 2025 AT 23:06

Ah, sim. Claro. O Banco Central, com toda sua sabedoria omnisciente, vai salvar o povo do capitalismo predatório... mas esqueceu de perguntar: quem criou esse sistema de fraude em primeiro lugar? Quem permitiu que o Pix fosse lançado sem um sistema de rastreamento robusto? Quem deixou que os bancos criassem contas de laranja com CPF falso e CNPJ de papel? Quem financiou os call centers que treinam jovens para enganar avós com histórias de prêmios e filhos presos? Quem lucra com a desinformação? Quem se beneficia da ignorância algorítmica? Quem não quer que a gente saiba que o real problema não é o Pix - é o sistema que o permitiu existir como uma arma de desigualdade disfarçada de inovação?

Essas mudanças são como colocar um cadeado na porta enquanto a janela está aberta. E ainda por cima, exigem que o cidadão comum se torne um analista de grafos para não ser vítima. Não é proteção. É responsabilização do fraco. O verdadeiro criminoso? Ele tá no topo. Ele tá no conselho. Ele tá no banco que não quer investir em segurança até que o prejuízo vire notícia. E agora, enquanto nós corremos atrás do nosso dinheiro, ele tá no Caribe, rindo. E vocês estão aplaudindo o policial que só agora decidiu virar a chave.

Isso não é solução. É espetáculo.

Pablo de Carvalho
  • Pablo de Carvalho
  • setembro 13, 2025 AT 04:29

Med 2.0? Grafo? BCB? Tá, tá... e daí? Ainda vão bloquear minha conta porque eu transfiro R$ 499 pro meu primo que trabalha no Uber. Porque ele tá no mesmo bairro que um cara que foi pego com 30 contas de laranja. Porque o algoritmo é um gênio da psicologia e sabe que eu sou ‘suspeito’ por ter 2 filhos e comprar frango no fim de semana. Aí o banco me manda um e-mail em letras minúsculas dizendo que ‘não foi possível concluir a análise’. Tá, então me devolve o dinheiro, porra. Ou pelo menos me diz o que eu fiz de errado. Mas não. Vai ter que esperar 14 dias. Enquanto isso, eu não consigo pagar o aluguel. E o banco? Ele tá lá, com o dinheiro do golpe, e o cara que roubou? Já tá no Paraguai com cripto e um novo CPF. Então, sim. Parabéns. Vocês criaram um sistema que protege o sistema. Mas não protege ninguém. E o pior? Ainda vão cobrar taxa de manutenção por isso. Tá, ó. Eu pago. Só não me chame de vítima. Eu sou o alvo.

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